MTC & OSTEOPATIA

Regularmente surge a questão por parte de pacientes e de alguns colegas, sobre qual o motivo de, após formação nas principais especialidades da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), querer aprofundar os meus conhecimentos em Osteopatia.

 

O despertar do meu interesse na Osteopatia como complemento terapêutico surgiu enquanto formando de MTC, numa disciplina que tinha o propósito de enquadrar as manipulações osteopáticas de tecidos moles: pele, músculos, tendões, ligamentos, etc, e manipulações osteo-articulares, na teoria básica de medicina chinesa.

 

Foi um momento esclarecedor, pois tomei conhecimento das vantagens do trabalho em conjunto entre a Osteopatia e as especialidades de tratamento orientais, que funcionam perfeitamente no tratamento de disfunções não exclusivamente articulares ou tendinosas.

Ao longo da formação de MTC foram transmitidos conhecimentos de uma corrente de pensamento tipicamente tradicional da Medicina Chinesa, como por exemplo a teoria básica do Yin e Yang, dos 5 elementos, a sua interação, controlo, equilíbrio ou mutação que originam a harmonia ou desarmonia.

Também nos foram transmitidos os princípios das especialidades terapêuticas mais utilizadas para resolver essas desarmonias como a Acupunctura, a massagem Tui-Na, a Fitoterapia, o Tai Chi ou o Qi Gong.

 

No curso de MTC, durante os estágios clínicos, sempre que surgia em discussão um caso de um paciente com uma disfunção claramente estrutural, como cifose, rotação vertebral, ciatalgia ou entorses, era frequente reflectirmos que os sintomas melhorariam substancialmente não só com as técnicas habitualmente utilizadas de acupunctura, Tui-Na, Moxabustão ou Ventosaterapia, como também com a Osteopatia, conseguindo cumprir com um dos principais requisitos que os pacientes procuram quando nos contactam por situações agudas ou crónicas de síndromes dolorosas:

 

  • O alívio imediato e/ou eliminação da dor.

 

Aí surgiu o interesse de, após a formação em MTC, enveredar pela formação em Osteopatia.

 

Após começar a aplicar os conhecimentos de Traumatologia em complemento com a Medicina Tradicional Chinesa, os resultados foram muito animadores e perceptíveis a curto prazo, tendo a oportunidade de perceber e alcançar o sucesso terapêutico.

 

- Porque considero esta abordagem benéfica?

 

Nos conceitos básicos da MTC, um bloqueio na circulação energética pode causar um vazio, excesso ou estagnação e consequente dor.

Esse bloqueio, quando localizado junto a articulações ou do aparelho músculo-esquelético provoca uma limitação de movimento ou mau estar inclusive em repouso. Todos esses sinais e sintomas provocam uma desarmonia não apenas física, como também mental/emocional.

 

- E se conseguirmos aliviar significativamente o síndrome doloroso presente, melhorar a mobilidade, ao mesmo tempo que permitimos que o paciente se sinta mais tranquilo, reequilibrando a energia de base de forma a eliminar a estagnação?

 

É esse o trabalho que desenvolvo com a integração das especialidades da MTC com a Osteopatia.

 

Com uma noção verdadeiramente holística é possível ter influência na origem e na manifestação, beneficiando o paciente de um efeito terapêutico muito mais célere e duradouro.

Após constatar que este trabalho integrado era de facto eficaz, decidi integrar a Osteopatia na minha prática clínica comum. Esta oportunidade deu-me conhecimento aprofundado sobre as origens e modo de acção exclusivo, como a perceber como se integra com outras técnicas, por exemplo com ligaduras funcionais ou kinesioterapia, sem nunca prescindir dos conceitos básicos da MTC, essencial em diagnóstico e elaboração de protocolo de tratamento.

 

No momento presente, a acção terapêutica na Clínica Pedro Namora – Medicina Tradicional Chinesa e Osteopatia centra-se principalmente na integração necessária das especialidades, tanto orientais como ocidentais. Evitando deste modo compartimentar as técnicas ao dispor e fazendo jus ao verdadeiro sentido de complementaridade.

Esta integração surge também pela necessidade e circunstância, pois é bastante frequente o/a paciente contactar a clínica, não para escolher uma terapia específica como Acupunctura, Tui-Na ou Osteopatia, mas sim para resolver um problema.

É muito comum ouvir este pedido em consulta:

 

  • “Faça o que entender necessário, eu quero é ficar bem.”

 

Com esta liberdade de acção, analisando os sinais e sintomas, o historial clínico, os hábitos de vida e o estado emocional, elabora-se um protocolo que visa ser benéfico tanto no desconforto dos sintomas, como na raíz do problema, promovendo o equilíbrio e a homeostase.

 

Regra geral, o protocolo de tratamento para as síndromes dolorosas, apesar das inúmeras variáveis de anamnese, diagnóstico e tratamento, utiliza as especialidades Acupuntura, Tui-Na, Ventosaterapia e Osteopatia, seguindo sempre as condicionantes de contra-indicações relativas e absolutas que qualquer tipo de especialidade terapêutica possui.

 
​Pedro Namora

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